Parto natural, mas quase desumano!

Meu bebê nasceu no dia 20 de março de 2015, às três horas da manhã, depois de 15 horas de contrações. Optei pelo parto natural e tentei levar até o último minuto sem anestesia ou qualquer outra droga. Eu queria poder pelo menos tentar! Saber como é esse processo para depois poder contar como foi!

Moro aqui na cidade de Nova York e preferi ser atendida por um médico ginecologista e obistreta, e ter o bebê no hospital. A principal razão é que temos um plano de saúde que cobriu todas as dispesas (talvez em uma próxima gravidez eu tente o parto humanizado). Procurei educar-me ao máximo sobre as opções que o hospital e os médicos poderiam apresentar durante o processo, e quais os caminhos que se enquadraram melhor com o meu perfil e estilo de vida (extremamente saudável).

Aqui segue a narrativa de um momento que eu e meu marido jamais esqueceremos!

Comecei a sentir contraçōes contínuas na quinta-feira (19), as 11 da manhã. Cerca de 30-40 segundos a cada 15 minutos. De uma escala 0-10, doia cerca de 6 a 7. Como se fosse uma cãimbra na parte inferior do estômago. Mas aí fui aprendendo a relaxar todos os musculos do corpo (minha bunda ficava contraída não sei porque), respirar fundo e e tentar deixar meu corpo bem aberto (braços pra cima, quadril pra frente) pra entrada de ar. Ajudou muito! O ideal é ocupar a cabeça e relaxar! Então fui ajudar o Philip a pintar a estante da sala rssss (tinta à base de água, não era tóxica).

Lá pelas 7pm perdi meu mucus plug (é tipo uma proteção que fica na entrada do cervix, que se solta quando o cervix começa a dilatar pra saída do bebê). Dali a pouco as contraçōes passaram a ocorrer a cada 5 minutos (mais doloridas e intensas. Tipo dor nível 7).

Ligamos para o médico e fomos pro hospital. Chegamos lá pelas 9:30pm e meu cervix estava com 7cm de dilataçao. Para poder começar a empurrar o bebê naturalmente é preciso estar em 10 cm.

Aqui nos Estados Unidos (moro na Cidade de Nova York) eles estão trabalhando para diminuir a quantidade de cesárias (que no Brasil é alarmante!). Então eles recomendam chegar no hospital só depois da primeira fase das contraçōes, quando geralmente seu cérvix vai estar cerca de 5cm dilatado. Senão você corre o risco de ter de voltar para casa e esperar.

O problema é que no parto normal você vai ter de esperar pelos 10cm. Então quando você chega muito cedo no hospital, eles podem querer acelerar o processo com uma droga chamada petucin. Ela faz com que as contrações aumentem mais rápido, só que com isso as dores aumentam também. Ai as mulheres pedem pela anestesia (chamada epidural). O problema é que se você pedir pela epidural muito cedo (antes dos 5cm de dilataçao), você perde parte dos sentidos da cintura abaixo, então você pode ficar sem força pra empurrar o bebê. Outro lado ruim de tomar petocin muito cedo é que seu corpo vai parar de produzir os hormônios naturais do parto e fazer com que a dilatação do cervix não aconteça. Esses dois fatores justificam bastante o porquê muitos partos que deveriam ser normais acabam virando cesária.

Voltando ao assunto do meu parto, quando cheguei no hospital e soube que estava com 7cm de dilatacao, pensei: ‘nem é tão mal assim! Faltam só mais três centímetros entao acho que aguento sem anestesia nenhuma’ kkkkkkkk. Engano meu! Aquilo tudo era só um aperitivo!

Dali a terceira fase das contraçōes começaram! Eu tinha 2 ou 3 minutos de descanso entre contraçōes que faziam o meu corpo inteiro tremer! Quando a dor ficava insuportavel, eu vomitava (umas 3x). E cagava nas calças de leve também (perdi as contas). As dores agora contraíam os músculos da parte de cima da coxa e inferior do estômago. Uma pontada subia por dentro da vagina como se fosse uma facada (nunca fui esfaqueada então nao sei se estou sendo bem precisa rs).

Quando foi por volta das 11 da noite (eu acho), meu médico checou e disse que eu estava com 8 a 9cm de dilatação. Ele rompeu minha bolsa d’agua (pra agilizar o processo) e me advertiu que as contrações poderiam piorar por causa disso. Kkkkkk Foi ai que conversei com o Philip sobre talvez solicitar a epidural (tem vários novos estudos saindo sobre os efeitos colaterais desses ‘medicamentos’ na mamãe, no bebê e no processo de amamentação, então eu realmente queria fazer de tudo para evitar).

Passaram-se acho que mais meia hora de dor intensa (eu descreveria como quase desumana) e resolvi solicitar a epidural. Até o anestesista chegar e a droga fazer efeito deve ter rolado mais meia hora. Tudo o que eu rezava era para não ter mais nenhuma contração enquanto isso! Já estava no meu limite! Sinceramente, nossas avós e antepassadas foram heroinas! Tinham não sei quantos filhos e olha lá se rolava um eter de vez em quando!

Assim que a anestesia começou a fazer efeito foi um alivio imenso! Esperei o medico checar minha dilatação e finalmente tinha chegado aos 10cm. Relaxei um pouco, mas por volta da 1 da manha comecei a sentir meu corpo querendo empurrar o bebê para fora.

No inicio fiquei meio desapontada porque realmente perdi boa parte dos sentidos. Nem tinha certeza se estava conseguindo empurrar alguma coisa. Mas o Philip e a enfermeira me deram uma super força e segui em frente. De novo meus achometros me enganaram! Pensei: “assim agora é moleza! To anestesiada nem vai doer” rssssss

Foram duas horas fazendo força! Meu medo de ficar com hemorroida só era superada por duas coisas: um procedimento cirúrgico que eles cortam entre a vagina e o ânus para o bebê ter mais espaço para sair, e eu realmente queria evitar a cesária! A recuperação é muito mais demorada e na minha opinião nao é normal alguém cortar seu abdomen!

Acredito que os 30 minutos finais foram de dor extrema de novo! Dali quando a cabeça começou a ser empurrada, depois ficou meio que entalada, ai tive a impressão que voltou tudo de novo (rsss eles me garantiram que não), até o médico dizer as mais sábias palavras: “relaxa um pouco agora, respira fundo e empurra”. A cabeça passou, busquei minhas ultimas forças e fiz os ombrinhos passarem. Dali foi um alivio!!! Palavras não descrevem a sensação! Nem se eu estivesse constipada por um mês e finalmente tivesse aliviado tudo de uma vez seria igual (rsss).

Alguns segundos de suspense e aquele chorinho do Caue fez meu coração desaguar! Que emoção! Colocaram ele diretamente nos meus braços! Pele contra pele! Nem liguei praquela meleca! Eu queria ele ali comigo! E sabia que isso ajudaria a acalmá-lo, já que seria o mais próximo do que ele vivenciou dentro de mim por nove meses!

Enquanto isso, o Philip com o zóio arregalado, sem acreditar no que ele tinha presenciado! Seu suporte foi fundamental em todos os momentos! Sou muito grata pelo marido maravilhoso que Deus colocou na minha vida! E agora pai do filho que seguro nos meus braços! A história e o amor entre eu e o Philip tomou forma e vida! Esse bebezinho cheio de cabelo na cabeça e com uns zoinho amendoados! (como uma amiga previu em um sonho). E saudável! Meu Deus do céu, saudável! Era o que eu mais queria!

Desculpa, vou finalizar a história do parto! Depois que colocaram o Caue contra a minha pele, meio que guiado pelo faro, ele comecou a se mexer em direção ao meu seio. Lá ficou mamando por quase duas horas.

Conforme solicitado no meu plano de parto, o médico demorou três minutos para cortar o cordão umbilical (esse extra fluxo de sangue garante uma vida mais saudável para o bebê). Subimos para o quarto de recuperação pós parto às 6 da manhã. Ali ficamos até ontem (sábado), e por volta das 2 da tarde cheganos em casa.

Se eu tiver outro bebê, ainda vou optar pelo parto normal. Agradeço ao avanço da medicina em podermos contar com cesária em situaçōes de risco para a mamãe ou para o bebê. Mas se a gente parar para pensar, não deveria ser uma prática tão comum. E deveria ser através da opção da mamãe e não por lucratividade ou conveniência médica.

Acredito que o parto do Caue foi muito difícil porque ele nasceu grande, minha estrutura óssea não é a das maiores, e por ser o meu primeiro filho. Não postei esse relato para assustar ninguém, muito menos criticar qualquer mamãe que optou por um caminho diferente. Só acho que deveria haver uma melhor educação sobre o assunto! Médicos e hospitais apresentarem opçōes claras, e explicarem sobre os pros e contras. O que raramente acontece no Brasil!

Meu relato foi embasado na minha experiência pessoal, aulas de parto natural e um workshop sobre gravidez saudável realizadas previamente no hospital que tive o bebê, um curso de amamentação, e incessantes pesquisas na internet. Todos os cursos foram realizados aqui em Nova York e as fontes das minhas pesquisas estão disponíveis apenas em inglês.

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